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Posts Tagged ‘Serra do Cipó’

Ecoolerturismo

March 20th, 2009 | 26 Comments | Filed in Sustentabilidade, Test-Drive

Contato com a natureza, mochila nas costas, barraca de camping e disposição compoem o ecoturismo.

Mas convenhamos, isto é mel na chupeta. Qual o mérito de chegar a algum lugar tendo como desafio levar apenas a si próprio.

E isso sempre causou certo desconforto nos cervejeiros clássicos:

Qual o sentido andar como um condenado e não ter uma cervejinha para beber?

Mas eis que no Carnaval de 2009, eu e Gabão e Uchôa, acompanhados de Barrigudinho caso esquecessemos como voltar para casa, estabelecemos um marco, o ponto zero do ecoolerturismo na Serra do Cipó.

Mas não pensem que o ecoolerturismo é tarefa trivial. Vamos às diretrizes:

  1. Utilize o cooler para 12 latas – O de 24 latas é muito legal para ficar no churrasco, mas você não terá mobilidade suficiente para andar com ele cheio de gelo por rios e encostas
  2. Faça seu gelo – O ecoolerturista por princípios sairá de um lugar com geladeira, até porque, quando não está desbravando novos territórios, ele está confortavelmente bebendo. Faça o seu próprio gelo no dia anterior.
  3. Leve cerveja gelada – O ecoolerturista é um ser racional, e portanto, utiliza-se a mesma geladeira que se faz o gelo para gelar a cerveja levada na sua ecooleraventura. A idéia não é gelar a cerveja durante o passeio, mas sim manter um ambiente endotérmico com os menores níveis de temperatura possíveis. Ao mistrurar cerveja quente, pode ter certeza que o gelo não dará vazão até o fim de um passeio ecoolerturista diminuindo o prazer.
  4. O lixo vai e volta – Ora bolas, o único lixo produzido por ecoolerturista é a própria latinha de cerveja, que volta do passeio no mesmo lugar de onde veio: o cooler.
  5. Filtro – O ecoolerturista deve manter o ciclo hidrológico. O líquido entrará em forma de cerveja no ecoolerturista, que atuará como filtro, e retornará a natureza.
  6. De montante à mijusante – o líquido deve preferencialmente ser filtrado e expelido no ponto mais à montante possível, para abastecer todos os demais seres à mijusante.
  7. Não profane seu instrumento de passeio – Água, sanduichinho e refrigerante podem ir em bolsa térmica, na mão, no diabo que os carregue. O ecoolerturista levará em seu cooler, apenas cerveja e gelo.
  8. O cooler é de sua inteira responsabilidade – Em alguns trechos, você pode até pedir para outra pessoa te ajudar, mas lembre-se que qualquer acidente que ocorra com o mesmo, será de total responsabilidade do bêbado proprietário do cooler. É imprenscidível que se consiga chegar a qualquer lugar sem depender de ninguém. Se for para alguém ajudar a carregar, é melhor ficar no bar.
  9. Tenha mais atenção ao carregar o cooler que uma criança. Há momentos em que o acesso é complicado e o cooler, tal qual uma criança ficam expostos a situação de riscos. Mas lembre-se que se uma criança esbarrar em uma pedra, cicatriza. O cooler não. Além do que, o tampão da cabeça de uma criança não abrirá esparramando massa encefálica caso você a vire de cabeça para baixo, ao contrário das latinhas e do gelo rolando se por algum mísero instante você tiver de virar seu cooler de ponta a cabeça.
  10. A cerveja é sua – Ecoolerturistas são exclusivistas. Passa por todo um processo para chegar onde chegou. No máximo, o ecoolerturista permitirá que alguém que o acompanhou desde o início de sua jornada desfrute consigo de sua cervejinha. Só essa pessoa seria testemunha do que se passou para chegar  com o cooler em algum ponto. Qualquer outra pessoa, inclusive as que vierem com capitalista oferta em espécie deve ser escorraçada. Beba a água, sanduichinho ou refrigerante que trouxeram na bolsa térmica.

Vantagens e desvantagens do ecoolerturismo ao ecoturismo:

Vantagens:

  • Não necessariamente o ecoolerturista precisa ir a um lugar associado à natureza. Ele pode levar orgulhosamente seu cooler a qualquer lugar, como a Torre Eiffel, Muralha da China ou Iguaba Grande (nesse caso, favor usar cooler de Cintra, Bavaria ou afins).
  • O ecoolerturista não tem de se preocupar com logística de bebida e alimentação. A cerveja faz esse papel.
  • O ecoolerturista não ficará chupando dedo por achar que um lugar para ficar completo precisaria só uma cervejinha.
  • A droga que ele carrega é legal.
  • Pode se usar as latinhas para formar indicações na trilha para não se perder (versão ecoolerturista de João e Maria).

Desvantagens:

  • O ecoturista pode levar a droga dele enrolada em qualquer papel no bolso, pesando gramas, enquanto a ordem de grandeza da droga do ecoolerturista é de quilogramas.
  • Algum ecoturista xiita pode recolher as latinhas de sua trilha.

Às nossas custas, fizemos da Serra do Cipó a Meca dos ecoolerturistas, mas agradeceríamos muito à AMBEV se pudesse patrocinar nossa missão de levar o ecoolerturismo há todos os lugares deste Mundo (talvez não na Austrália porque dizem que a cerveja lá é uma porcaria).

Em tempo: Acusam-me de ter inadvertidamente apropriado-me do termo ecoolerturismo quando todos sabem que tal nomeclatura sempre existiu e por ninguém foi inventada, apenas descoberta. Como bom praticante da modalidade, certamente estava eu suficientemente bêbado quando o termo foi, por assim dizer, proferido, fazendo com que, com as devidas ressalvas e apenas para fins de registro aceite tal identificação de batismo, pois a paternidade deve ser concedida a quem cria.